Jesus Cristo e o planeta Terra: uma história de amor

*Edna Maria Marturano

Jesus Cristo impactou o mundo de tal modo que sua passagem por aqui dividiu nosso tempo histórico em duas eras:  antes e depois de Cristo. Durante anos, os líderes religiosos herdeiros do cristianismo especularam sobre quem seria Ele. Neste texto, apresentamos a narrativa espírita da procedência de Jesus Cristo, sua relação com o Criador, sua ascendência espiritual sobre nosso planeta, a finalidade de sua imersão em uma encarnação terrestre e seus planos para o futuro da Terra e de seus habitantes. Essa história é contada por Emmanuel no livro “A caminho da luz”.

Jesus, Filho de Deus

Segundo a concepção espírita, Jesus é filho de Deus como todos nós. Um filho de Deus criado simples e insciente, que atravessou longa fieira de encarnações pelos mundos materiais, em passado remotíssimo. Progrediu sofrendo as vicissitudes das existências corpóreas e atingiu por mérito próprio o auge da evolução. Sem privilégio, tornou-se Espirito puro, dotado de todos os poderes que o amor e a sabedoria conferem ao ser. Ele faz parte da legião de anjos que colaboram com Deus na gestão do Universo, monitorando a evolução da imensa família que povoa os mundos, as constelações e as galáxias. Sua comunidade laboral é a dos Espíritos responsáveis pelo nosso sistema solar.

A designação para cuidar do Planeta Terra

Quando aquela massa incandescente se desprendeu do Sol, o anjo que conhecemos como Jesus foi escolhido para presidir ao desenvolvimento do planeta nascente. A designação implicava em tarefa inimaginável para nós, terráqueos: conceber e concretizar um projeto de vida biológica, povoamento e evolução. O evangelista João parece ter vislumbrado tais fatos quando escreve: “…o mundo foi feito por intermédio dele” (Jo, 1:10).

Assim começou a relação amorosa entre Jesus e a Terra. Ele se tornou como um segundo pai para a humanidade que habita o planeta. Um irmão mais velho, amoroso e dedicado na supervisão do nosso crescimento espiritual. Sob seu olhar atento, o planeta serviu de útero para abrigar e nutrir os embriões das nossas almas; foi o berço que embalou a nossa infância espiritual; e com o gradual despertar da nossa consciência, passou a funcionar como escola benemérita, a nos prodigalizar infinitas oportunidades de aprendizado e desenvolvimento, por meio da reencarnação.

A Terra era ainda um mundo primitivo.

A maior prova de amor pela humanidade terrestre

A consciência de si foi gradualmente capacitando o ser humano para fazer escolhas: era o livre arbítrio desabrochando. Foi quando começaram as escolhas equivocadas, que violavam a lei universal do amor ao próximo, gerando causas de sofrimento reparador na reencarnação.

Nessa fase da evolução terrestre, o Cristo recebe nova incumbência: acolher uma falange de espíritos degredados de um planeta da constelação Capela, onde sua renitência no egoísmo criminoso estava dificultando o progresso geral. Desenvolvidas intelectualmente, mas moralmente transviadas, essas almas viriam reeducar-se nos rudes trabalhos de um mundo primitivo e, ao mesmo tempo, impulsionar o progresso planetário.

A escola terrestre, sem perder sua função educativa, tornava-se assim um mundo de expiação e provas.

Entre o primitivismo dos povos locais e a rebeldia dos degredados, persistiam as condutas desviadas, individuais e coletivas, gerando reencarnações expiatórias. Compadecido então dos desatinos e sofrimentos de sua irmandade terrestre, agora ampliada, Jesus programou vir, pessoalmente, ensinar o caminho da regeneração para quem desejasse romper esse círculo vicioso entre delito e reparação.

A visita pessoal do Cristo ao planeta foi cuidadosamente planejada na sua comunidade angélica. Os profetas de Israel, como repórteres da espiritualidade, deram notícias desse planejamento, antecipando a vinda do Messias, Salvador da humanidade. Eles anteciparam também a incompreensão e a rejeição que o Mestre sofreria, registrada por João: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo, 1:11).

E nasceu Jesus em Belém, como herói apagado e anônimo, no mais belo testemunho de amor que o mundo já recebeu. Seu penoso percurso da manjedoura à cruz todos conhecem: semeado de espinhos e pedras, coroado com o esplendor da ressurreição. Mas por que tanto sofrimento, sendo ele puro e perfeito? Para representar, ao estreito olhar humano, a trajetória evolutiva prescrita por Deus para suas criaturas. A existência de Jesus na Terra foi uma luminosa metáfora da caminhada longa e árdua que cada ser humano há de percorrer até se tornar também um Espírito puro.

E o futuro?

Evoluir até a perfeição é nosso destino de filhos de Deus. Mais cedo ou mais tarde, cada ser humano vai trilhar o caminho estreito para dentro de si mesmo, despojar-se dos caprichos do “eu” e seguir a Jesus, levando aos ombros a cruz simbólica dos deveres determinados pela moral universal: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Essa é a mensagem viva que Ele dramatizou à custa de sangue, suor e lágrimas.

Mas Jesus tem também um programa coletivo para a família terrestre. Segundo a narrativa de Emmanuel[1], vivemos no limiar de uma transição semelhante à que ocorreu em Capela: espíritos renitentes no mal, que após mais de 2000 anos ainda permanecem impermeáveis à mensagem do amor universal trazida pelo Cristo, serão degredados temporariamente para um mundo primitivo, até que se regenerem.

Ao mesmo tempo, a Terra passa a receber pelas portas da reencarnação apenas Espíritos sinceramente empenhados em seguir os ensinos do Cristo, buscando a educação dos sentimentos, a extinção do orgulho e do egoísmo e a prática da caridade. 

É a promoção do planeta à condição de mundo regenerador.

O que isso significa? Que os habitantes do planeta, não mais violando a Lei Universal, terão rompido o círculo vicioso das reencarnações expiatórias. Seguirão reencarnando para progredir, desenvolver seu potencial de amor e sabedoria, resgatar apenas débitos antigos, mas não farão novas dívidas.

Significa também que nesse futuro, ainda remoto na nossa contagem de tempo, será muito bom viver na Terra, em clima de respeito mútuo, sem ódios, sem guerras, em convivência pacífica.

Como prometeu Jesus, os mansos herdarão a Terra.

*Edna faz parte da Diretoria do IEPT, sendo atualmente 2ª tesoureira.


[1] Emmanuel. A caminho da Luz. Psicografia F. C. Xavier. Ed. FEB.