Como lidar com birras e agressões da criança pequena

Dâmaris Simon Camelo Borges*

Um assunto que é um verdadeiro desafio para os pais e cuidadores. Este artigo oferece orientações sobre como lidar com birras e agressões da criança pequena. Elaboramos algumas recomendações, como compreender o comportamento infantil, estabelecer limites e promover um ambiente calmo e seguro para o desenvolvimento saudável das crianças. Saiba como agir em conjunto com outros cuidadores, como pais e professores, e explore dicas práticas para enfrentar desafios com paciência e empatia em casos de birras e agressões em crianças.

A transformação da criança: de bebê fofinho a criança difícil

Aquele bebê fofíssimo pode, de repente, se tornar uma criança difícil. Birrenta, que morde, bate até nos pais e professores. Os cuidadores se desesperam e, não raro, entram na perturbação emocional da criança. Quando isso acontece, os adultos, ao invés de atenuarem o problema, colaboram para deixar o ambiente caótico.

O papel do ambiente e do contexto no comportamento da criança

As situações de birra e agressão podem ocorrer em casa, na escola, ou em ambos os ambientes. Sendo assim, o contexto, a presença de outras crianças, e até mesmo pessoas que mimam a criança, podem influenciar seu comportamento. É importante ter em mente que o amor e o respeito que a criança sente pelo cuidador também fazem diferença.

A fase de desenvolvimento e a autorregulação das emoções

Por volta dos 18 meses, algumas crianças começam a apresentar mordidas e birras. Portanto, esses comportamentos fazem parte da fase de desenvolvimento em que a criança ainda não dispõe de recursos para autorregular suas emoções e comportamentos.

A importância de saber lidar com a fase de birras e agressões

Saber lidar com essa fase contribui para diminuir o risco de crises, mas não para eliminá-las completamente, pois até os 3 ou 4 anos, não há como evitar birras ocasionais. Assim, nessa fase, a criança começa a entender e testar limites, a necessidade de regras e o conceito de justiça.

Como lidar com birras e agressões da criança pequena: estratégias eficazes para
uma convivência mais tranquila

Como Lidar: explorando estratégias

Manter a calma durante uma birra e prestar atenção ao próprio tom de voz pode fazer toda a diferença. Se você perder a paciência, dê o exemplo. Dessa forma, para uma criança maior, você pode dizer: “Eu perdi o controle, me desculpe! Vou para o canto me acalmar e depois a gente conversa”. No entanto, quando o assunto é lidar com birra e agressões em crianças pequenas, a abordagem é outra.

Aqui estão algumas práticas educativas consideradas eficientes para lidar com essas situações de crise:

1. Atençãos às necessidades da criança

Evite sobrecarregar a criança com atividades em excesso. Preste atenção se a criança gosta das atividades que faz.

2. Encoraje a persistência

Quando a criança estiver em atividade, ao menor sinal de frustração, encoraje-a a continuar. Use elogios verdadeiros e referentes à posturas e esforços, não a resultados.

3. Incentive a autonomia

Encoraje a criança a ser autônoma, a fazer tarefas adequadas à sua capacidade, por si só e a fazer escolhas.

4. Observe e faça mudanças

Observe a criança para perceber padrões e faça mudanças. Por exemplo, se ela tem que guardar os brinquedos quando já está com muita fome ou sono, mude a rotina.

5. Evite o “Não”

Quando a criança nessa idade ouve um não, ela não sabe o que fazer. Diga o que ela deve fazer.

6. Torne tarefas chatas em algo lúdico

Para incentivar a criança a fazer tarefas chatas como guardar os brinquedos, transforme-as em algo lúdico.

7. Escolha suas batalhas

Não entre em queda de braços com a criança; se não vai perturbar o funcionamento da família e nem coloca a integridade física e emocional de ninguém em risco, deixe a criança se movimentar.

8. Elogie o bom comportamento

Elogie com frequência o bom comportamento e não a criança.

9. Fale das consequências do mau comportamento

Fale em casa das consequências do mau comportamento, sobretudo quando tiver algum compromisso, como quando for ao supermercado, por exemplo, antecipe o que vai acontecer.

10. Espere menos autocontrole em períodos de estresse

Espere menos autocontrole em períodos de estresse: fome, sono, cansaço, divórcio, viagens, nascimento de irmão, entre outros.

Saiba Mais:

Como facilitar a adaptação das crianças no início do ano escolar?

11. Os pais/cuidadores precisam agir em conjunto

Os pais precisam agir em conjunto, um não pode desautorizar o outro.

12. Defina limites

Pense bem quais são os limites e seja firme com eles; se cederem uma vez naquilo que não é possível, a criança acaba entendendo que se fizer birras consegue o que quer.

13. Sugira o que a criança deve fazer

Sugerir o que a criança deve fazer é mais eficaz do que ficar dando ordens, mas, mostre as consequências das escolhas.

14. Negocie só o que for passível de negociação

Negocie só o que for passível de negociação; agressão, por exemplo, nunca é negociável!

15. Mantenha a calma

Mantenha a calma! Não se deixe contaminar pela energia descontrolada da criança!

16. Seja compreensivo

Seja compreensivo; fale em tom calmo, tente entender por que a criança está agindo de determinada maneira.

17. Não ceda às birras

Não ceda quando a criança bater, fizer birras e gritos. Quanto mais firmes os pais forem nessas situações, mais rápido a criança vai deixar de fazê-los.

18. Mantenha a calma durante a crise

Se possível, não converse no momento da crise. Sente-se calmamente ao lado da criança e espere passar, caso a situação permita.

19. Acolha após a crise

Após a criança se acalmar, abrace-a (se ela quiser) e elogie-a por ter se acalmado.

20. Evite a agressividade

Não use a agressividade para conter a criança.

21. Não repreenda seu filho em público

Se a birra persistir, tire seu filho do ambiente, sem demonstrar irritação ou desaprovação.

22. Mostre a relação entre ação e consequência

Se precisar separar uma criança que está agredindo os amigos, mostre a relação lógica entre ação e consequência: ‘você está batendo nos seus amigos vai ficar sentado aqui do meu lado, ninguém gosta de apanhar!’ e para sair da cadeira, a criança pode sair a hora que ela tomar a decisão de não bater mais

23. Ensine a criança a expressar suas emoções

Quando a criança bater nos pais ou cuidadores, contenha-a e diga baixo e com voz firme: “Sem bater! Eu gosto de carinho!”.

24. Monte o cantinho da calma

Ensine a criança a ir para o cantinho da calma quando precisar reaver o controle.

25. Converse com a criança após a crise

Passada a crise, converse com a criança. Ajude-a a verbalizar e entender o que está sentindo.

26. Mantenha diálogos curtos

Não adianta ter longos diálogos. Tenha uma conversa curta e não passe recibo à provocação!

27. Ofereça colo e abraços

Ofereça colo e abraços, mas sem constranger a criança.

28. Mude o foco

Se possível, mude o foco chamando a atenção da criança para outra coisa e nunca impeça que ela chore.

29. Evite agressões verbais e físicas

Agressões verbais e físicas, seja em forma de críticas ou xingamentos, só servem para ensinar a criança que quando ela atingir o limite dela, ela pode usar de agressões e xingamentos.

O Aprendizado para a Vida Adulta

Se houver diálogo e práticas educativas assertivas nessa fase, a criança poderá aprender a entender e expressar seus sentimentos corretamente. O adulto pode ganhar a confiança da criança como uma referência segura e confiável. Uma criança mais calma pode diminuir consideravelmente a possibilidade de envolvimento em conflitos. Esse aprendizado a criança levará para a vida adulta.

Listamos abaixo alguns vídeos que nos inspiraram e ajudam muito a entender as práticas listadas aqui.  Cada um assumindo a sua responsabilidade e entendendo que temos uma guarda compartilhada da criança, pais e professores agindo juntos e falando a mesma linguagem tornam o processo educativo muito mais tranquilo e agradável, resultando em benefícios imensuráveis para os nossos pequenos!

10 dicas para lidar com birra

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*Dâmaris Simon Camelo Borges é autora do livro Alfabetização
em Valores Humanos e também diretora do IEPT, orientando
a equipe docente com formações continuadas