*Dâmaris Simon Camelo Borges
Uma das queixas que mais se ouve hoje em dia, principalmente nas escolas, é que as crianças não tem educação, mas, para sermos justos, o mesmo tenho visto em relação aos adultos.
Imaginem a seguinte cena: Estamos em um lugar onde combinamos encontrar com alguns amigos. Um deles chega, passa direto por nós e não fala nada. Na brincadeira ou não, imediatamente viramos para a pessoa e dizemos: Ei! Não está me vendo aqui não?! Estou invisível? É disso que trata este artigo, dos “gestos de polidez”.
Polidez! A palavra soa estranha, quase não se ouve mais. A que se refere? Existe uma música que fala sobre polidez e, diz a letra: “Por favor, obrigado, de nada, não tem de quê, desculpe, bom dia, boa tarde, boa noite, com licença, como vai você?”
Agora ficou claro? Polidez refere-se às expressões utilizadas para expressar educação, gentileza, mas, principalmente o reconhecimento do outro enquanto ser humano, digno de respeito.
Interessantemente, tenho visto conflitos, não causados única e exclusivamente pela falta de polidez, mas, ocasionados por ela. É que gestos de polidez, aparentemente banais, trazem em sua essência a consideração pelo outro e, em sua prática, um grande potencial de abrir portas.
Exatamente por conta desse potencial, é considerada o primeiro degrau na construção do comportamento moral. Como assim? Que história é essa de que falar “bom dia” ou “pedir desculpas” tem a ver com o comportamento moral?
Entendendo o conceito de “moral” como sendo “o comportamento em que o indivíduo se sente na obrigação, mesmo sem ser supervisionado, de seguir as regras, os princípios e os valores morais da sua sociedade que se relacionam ao bem-estar, aos direitos e ao tratamento justo das pessoas (Borges, Marturano, 2012), começamos a entender que quando olhamos para uma pessoa ao entrarmos em um ambiente e dizemos, bom dia! ou, com licença! ou então, ao esbarrarmos em alguém e pedirmos desculpas, estamos dizendo ao outro: Eu te reconheço enquanto ser humano! Abrimos as portas da comunicação e do bom relacionamento. Ao contrário, se não utilizamos as expressões de polidez quando encontramos com as pessoas, é comum elas pensarem: “por um acaso eu estou invisível? eu não sou ninguém?” A pessoa passa por cima e fica por isso mesmo?
Ou seja: sendo sinceros no culto à polidez, favorecemos a disposição do outro para o diálogo, o entendimento; em efeito cascata, podem desenvolver-se interações amigáveis que propiciam relações mais harmoniosas. No outro polo, a falta de polidez pode bloquear a comunicação e gerar desconforto na pessoa que esperava um tratamento mais educado. Reside aí a qualidade moral da polidez.
Por tudo que foi exposto, o tema da polidez tem implicações educativas óbvias. As “palavras mágicas” podem ser aprendidas no seu contexto. E as crianças, desde cedo, podem se dar conta do seu efeito positivo. Nessa mesma direção, elas começam a perceber que comportamentos e sentimentos como a empatia, a colaboração, o respeito, a generosidade, também são importantes, não só para a convivência, mas, para a sobrevivência da Humanidade.
É isso, amigos! Se não ensinarmos, as crianças não vão aprender. Existe uma frase de São Francisco de Assis que diz “Ensine o Evangelho e se necessário, use as palavras” e nós podemos adaptar para “ensine a polidez e se necessário use as palavras”, ou seja, dê o exemplo.
E não se engane, professor. Quando escolhemos essa profissão, escolhemos trabalhar o ser integral, cognição e emoção. Vamos encarar? Ensinar e principalmente dar o exemplo!
